Ateamos fogo a casa, e dançamos ali mesmo, descalços, desviando das labaredas do que doze minutos atrás eram cortinas, agora são um ser que grita e faz movimentos sem sentido. Dançamos girando e girando e girando, seu cabelo voa, quase encostando no fogo.
Você fala quase sussurrando, e digo que os espertos não sussurram. Grite, vamos rodar mais rápido, o perigo de cair e virar um só com todas essas chamas é tentador demais.
Falo que tinha algo para reclamar, mas esqueci. Não importava mesmo.
O fogo alcançou a música, e ela morreu devagar, agora só somos nós dois, e os anjos pensando “ora ora vamos logo ter trabalho duro, rapazes”, saltamos sobre o que antes era um pedaço do teto, o céu está lindo la fora, e pergunto ao lado de qual estrela você quer estar, é isso que quer não quer?
Eu? Hmm ainda não decidi se quero ser uma nota musical ou uma cor que ainda ninguém pintou nada, mas o suspense vai ser muito grande eu acho. Estamos no único espaço que sobrou, mágico não? Já posso sentir o fogo nos meus pés, a visão embaçada, mas não tem fumaça, o que pode ser bom e ruim. Já reparou na fumaça dançando, como uma cobra andando por ai, entrando nos pulmões sem pedir licença e nos fazendo tossir.
Você me abraça forte, com medo, e pergunta se tenho certeza que vou aguentar mais que você. Digo que sim, e lembro que guardei um maço de incensos no bolso, jogo no fogo, pronto, nada mais para se preocupar, pode ir, me espere quando chegar do outro lado, talvez minha teimosia faça eu demorar um pouco.
realmente os espertos não sussuram,eles devem ter medo de entrarem demais dentro de suas próprias vozes…